O Art. 19 da lei é claro: o projeto deve ser apresentado com orçamento analítico. Não é uma lista de desejos. É uma planilha que mostra quantidade, unidade, valor unitário, valor total e, de preferência, a justificativa de cada custo.
O parecerista não conhece o seu projeto. Ele vai ler o orçamento e tentar entender se aquilo faz sentido. Se você coloca "R$ 50.000 para produção executiva" sem detalhar o que essa produção executiva faz, ele vai desconfiar. Se você coloca "R$ 2.000 de cachê por dia para um músico" e o mercado local paga R$ 500, ele vai glosar.
Regras de ouro
- Pesquise preços reais. Peça orçamentos de três fornecedores diferentes. Guarde tudo. Isso serve para a análise e, depois, para a prestação de contas.
- Não infle divulgação. Projeto cultural não é campanha publicitária. Se 40% do orçamento é mídia, o parecerista vai questionar.
- Detalhe infraestrutura. Som, luz, palco, projeção, transporte, seguro. Liste equipamentos, diárias e quantidades — e não uma linha única de "estrutura".
- Cachê tem limite. Não existe tabela única, mas existe razoabilidade. Um projeto de R$ 200.000 não pode ter R$ 80.000 de cachê para um único artista.
- Reserve verba para acessibilidade. Desde a Lei 13.146/2015, o projeto deve prever formato acessível sempre que tecnicamente possível: intérprete de Libras, audiodescrição, legendagem descritiva. Isso entra no orçamento.
O orçamento conversa com o cronograma
Se você prevê gravação de disco em janeiro e mixagem em dezembro, o custo de estúdio tem que aparecer no mês certo. Orçamento e cronograma que se contradizem são o tipo de incoerência que o parecerista encontra em cinco minutos — e que sugere que o projeto não foi planejado, foi preenchido.
Dica de produtor
Monte o orçamento em uma planilha separada, com uma aba para cada rubrica. Depois transfira para o SALIC. Isso evita erro de digitação, facilita a revisão de quem lê antes de você enviar e adianta metade do trabalho na hora de prestar contas — porque a planilha que você usou para propor é a mesma que vai receber os comprovantes.
Um orçamento analítico bem feito é o documento que separa amador de produtor. Ele não é a parte chata do projeto: é a parte que prova que o projeto existe fora da sua cabeça.












